Vamos falar sobre depressão?

A depressão é um adoecimento muito frequente nos dias atuais, acometendo pessoas de todas as idades, independente de gênero ou classe social. Por não entenderem direito está doença, as pessoas tem uma serie de preconceitos como por exemplo, acreditar que é preguiça do paciente, falta de fé, falta de vergonha ou de trabalho. E devido a estes preconceitos, o paciente geralmente prefere se calar e pensar ser possível superar tudo sozinho. Mas não é! É preciso uma outra pessoa para tratá-lo.

Como psicóloga e psicanalista, atendo no SUS há 28 anos e observo que a depressão aumentou e tem aparecido em pessoas cada vez mais cedo. Seus sintomas incluem desânimo, tristeza constante, choro fácil, desesperança, irritabilidade, intolerância a barulhos, tendência ao isolamento e dores corporais, principalmente. Mas existem outros sinais conforme o grau desse adoecimento, que pode ser leve, moderado ou grave. Nos graus moderados e graves, além dos sintomas mencionados, o paciente tem alteração de sono e apetite (dorme e/ou come para mais ou para menos), automutila-se, começa a ter pensamentos suicidas, planejar e até tentar o suicídio.

As equipes de saúde da família estão capacitadas para identificar e tratar os casos leves de depressão e encaminham os casos mais graves para a equipe de saúde mental, ou seja, para o psicólogo e o psiquiatra, em reuniões que ocorrem todos os meses na UBS.

O tratamento inclui medicações adequadas, os chamados antidepressivos, que não causam dependência química e os atendimentos psicológicos, cujos efeitos se dão com algum tempo de tratamento, variando de uma pessoa para a outra. O SUS conta ainda com unidades de atendimento psiquiátrico urgente, os CERSAM’s, com equipes multiprofissionais e funcionamento todos os dias da semana, que atendem pacientes em surto psicótico ou que tenham a louca ideia de suicidar. É louca porque ninguém tem a certeza de que morrendo será melhor. É só uma crença, não uma realidade. O Cersam Oeste atende adultos, e o Nordeste atende crianças e adolescentes. Nos UBS, as famílias são orientadas e os pacientes encaminhados para estes serviços, quando necessário.

As causas da depressão são variadas e guardam estreitas relações com a maneira como cada pessoa se estrutura no cenário familiar e social. Não se trata de uma questão genética e não é o mesmo que leva a tristeza. A pessoa triste sabe o motivo, mas a deprimida o desconhece. Então, é necessário buscar ajuda e a família e amigos podem ajudar muito, tanto na prevenção, quanto na cura desses pacientes que, como qualquer pessoa querem ser amados e aceitos!

Texto de Fabíola Botelho, psicóloga da UBS Conjunto Betânia.

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