Covid: Mais de 50% de mortes seriam evitadas se capitais tivessem índice de BH

Covid: Mais de 50% de mortes seriam evitadas se capitais tivessem índice de BH

Informação é resultado de um estudo do Imperial College of London publicado no último 6 de outubro

Por LUCAS NEGRISOLI | @LUCASNEGRISOLI

15/10/21 – 13h15

Dose vacina Covid Pfizer

Foto: Cristiane Mattos

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Cerca de 328 mil mortes por complicações da Covid-19 poderiam ter sido evitadas Brasil se a taxa de mortalidade da doença em Belo Horizonte fosse refletida em 14 outras capitais do país, aponta estudo do Imperial College of London publicado no último 6 de outubro. 

A pesquisa avaliou os patamares de óbitos em hospitais em Curitiba, Florianópolis, Goiânia, João Pessoa, Macapá, Manaus, Natal, Porto Alegre, Porto Velho, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo, além da capital mineira. Belo Horizonte registrou as taxas menos letais dentre o grupo analisado.

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“Se todas as 14 capitais tivessem a menor taxa de mortalidade em hospitais [por Covid-19], observadas em Belo Horizonte, isso poderia ter diminuído as fatalidades em 54,55% (53,95% a 59,22%) nas cidades”, narra um trecho do estudo. 

Os pesquisadores ressaltam que as projeções feitas podem ser menos precisas do que os números apontam devido às diferentes características estruturais das capitais e admitem que o estudo é “menos conservador” por causa disso. 

Outras 167.194 mil mortes poderiam ter sido evitadas em Curitiba, Goiânia, Macapá, Manaus, Natal, Porto Alegre, Porto Velho, São Luís e São Paulo se não tivesse havido “falta de recursos hospitalares”.

Extrapolando as bases de dados das 14 capitais para o restante do país, os pesquisadores, com projeções mais conservadoras, descobriram que ao menos um quarto das mortes poderiam ter sido evitadas. 

“Com base nos dados de 26 de julho de 2021, as projeções apontam que cerca de um quarto das mortes atribuídas à Covis-19 em hospitais poderia ter sido evitada se todos os hospitais do Brasil tivessem a taxa de fatalidade observada em Belo Horizonte”, conclui o estudo.

Fechamento e longa quarentena em Belo Horizonte

O primeiro fechamento do comércio determinado pela prefeitura de Belo Horizonte foi editado por decreto em 16 de março de 2020. À época, a Organização Mundial da Saúde (OMS) havia declarado que a Covid-19 era uma pandemia há 5 dias. 


Durante todo o ano passado, a prefeitura, nas asas da gestão de Alexandre Kalil (PSD), manteve idas e vindas na quarentena, que foi considerada por críticos como “a extensa do país”. 

Na virada do ano, quando a segunda onda da pandemia atingiu o Brasil, houve durante algumas semanas colapso do sistema de saúde da capital mineira, que chegou a registrar durante dias falta de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e enfermarias.

Se, em 2020, Kalil ficou conhecido pela “mão de ferro” com o fechamento da cidade, e 2021 o prefeito de Belo Horizonte fez sucessivas aberturas.

Várias delas, como a determinada nesta sexta-feira (15), de retirada das restrições de horário para funcionamento de bares e restaurantes, junto a entidades empresariais ou de representação do comércio e serviços.

O chefe do Executivo sempre alegou ser pautado pelo Comitê de Enfrentamento à Covid-19 reunido pelo secretário municipal de Saúde, Jackson Oliveira.

Os médicos infectologistas convocados – Unaí Tupinambás, Carlos Starling e Estevão Urbano – são referências na área e estiveram presentes em, praticamente, todas as aparições públicas da prefeitura, mesmo quando Kalil, em si, não participava de anúncios.

A capital ainda conseguiu aprovar, na Câmara Municipal, uma lei que prevê multa de R$ 100 para pessoas que não respeitassem a obrigatoriedade de uso de máscaras em público durante a pandemia.

Legado do SUS em Belo Horizonte

O infectologista Unaí Tupinambás afirma que, além dos méritos da gestão de Kalil, é importante ressaltar que os números encontrados pelo Imperial College of London são resultado, também, de um longo processo de fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) da capital. 

“Sabíamos que BH tinha um desempenho dentre os melhores. A análise que temos é, claro, que há os méritos da atual prefeitura, de decretar as medidas não farmacológica no tempo adequado, mas lembrando que a estrutura do SUS de BH vem sendo construída desde a década de 1990”, diz. 

“O SUS de BH é um exemplo nacional, tem uma tradição de equipes muito bem estruturada. Kalil manteve essa estrutura forte. Foi uma das poucas prefeituras que bancou as medidas necessárias. É um motivo de alegria e orgulho para todos nós”, acrescenta. 

Fonte: O tempo https://www.otempo.com.br/cidades/covid-mais-de-50-de-mortes-seriam-evitadas-se-capitais-tivessem-indice-de-bh-1.2556117

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Pedro Franco

Jornalista. Diretor e Editor Chefe do Jornal Da Comunidade.