Poetas experimentam podcasts e redes sociais para difundir seus versos

Pedro Muriel lançou neste sábado (15) seu ‘Poemacast’ no Spotify e no domingo o espetáculo de mesmo nome será apresentado no Teatro Sesiminas

O mineiro Pedro Muriel publicou seu primeiro poema no Facebook em 2014. No mesmo ano, ele
criou a página Cadeira Atômica do Pedrão, na qual ainda segue postando alguns dos seus
escritos. O retorno veio rápido, e logo seus poemas conquistaram muitos leitores, entre eles Suely
Machado, diretora do Grupo Primeiro Ato, que inseriu uma das poesias num espetáculo de
dança.
Foi a partir dessa experiência, realizada em 2018, que Muriel viu o potencial de um trabalho mais
amplo com seus textos por meio de outras vozes. “Eu pensei em fazer um livro que as pessoas
pudessem acessar no lugar que elas mais frequentam hoje em dia, que é o celular. Eu juntei
alguns amigos e pessoas importantes na minha trajetória literária para contribuir com sua voz,
seus sotaques e suas marcas na leitura desses poemas”, relata Muriel.
Dessa parceria, nasceu o “Poemacast”, livro com 60 textos declamados, em formato de podcast,
que a partir deste sábado (15) vai estar disponível gratuitamente na plataforma Spotify. Além
disso, o projeto inclui um espetáculo de mesmo nome que vai estrear no Teatro Sesiminas neste
domingo (16). Ao lado de Pedro Muriel, vão estar no palco Lula Ribeiro, Daniela Zuppo, Joana
Ribeiro, Clara Assumpção e Iara Machado.
“A ideia é levar o espetáculo para o Brasil todo, e o resultado está muito interessante, cheio de
ritmos e sonoridades, vozes do Brasil e até de Cabo Verde, que compõem um conjunto bastante
atraente”, diz Muriel. O percurso dele pode ser aproximado daquele de outros escritores que vêm
conquistando espaço, a partir do uso das redes sociais para publicar poemas e pequenas
narrativas, o que antes acontecia principalmente por meio de blogs.
É o caso, por exemplo, de Zack Magiezi, Clarice Sabino e Wally Wilde, que, inclusive, estão
confirmados para participar da oitava edição do Festival Literário de Araxá, cuja abertura
acontecerá no dia 19. Magiezi alimenta seu perfil no Instagram com poemas e já possui mais de 1
milhão de seguidores.
“Eu comecei a postar em blogs, depois fui para o Facebook, em 2013. No ano seguinte, criei um
perfil no Instagram, em que continuo até hoje. Eu vi que era interessante escrever na máquina e
fotografar os poemas, porque o Instagram é um lugar de registro de imagem, e eu tento criar um
tipo de texto próprio para aquele espaço”, diz o poeta.
Clarice, que é sobrinha-neta do escritor Fernando Sabino (1923-2004), também se vale dessa
rede social. Um diferencial do seu trabalho é a combinação entre poesia e desenho. “Todas as
postagens são uma forma de experimentação. Eu comecei com a fotografia acrescida delegendas, depois colocava o texto em cima da foto, até que um dia minha irmã viu uns rabiscos e
perguntou por que eu não postava aquilo. Eu achava que as pessoas poderiam não gostar, mas,
depois que incluí o desenho, a interação aumentou muito, e os poemas começaram a ser
compartilhados em diversas páginas”, conta a escritora.
Wally Wilde, por sua vez, encontrou na fotografia o principal meio para levar seus escritos ao
Instagram. “Eu acabei desenvolvendo uma identidade em cima de uns cartõezinhos que escrevo à
mão. No começo, eles eram mais escuros, e agora estou em uma fase nova, com fundo mais
amarelado”, diz Wilde.
Para ele, o retorno imediato dos leitores serve como estímulo. “Mas também é um pouco
assustador, porque você pode acabar entrando numa espécie de linha de produção. Na internet,
tudo fica velho muito rápido, e o texto de ontem já morreu. Então você tem que produzir um
texto novo, e chega uma hora que isso é um pouco demais. É o ônus da coisa”, pondera Wilde.
Clarice também compartilha visão semelhante. “No Instagram, há uma dinâmica em que você
deve postar algo novo o tempo todo, e eu respeito muito meu tipo de escrita. Não acho que
devemos ceder a esse tipo de pressão, até porque, às vezes, sinto vontade de compartilhar o que
tenho no momento, mas também outros textos que já produzi há mais tempo”, completa a
escritora.
Aliada
Apesar desses problemas, a internet, para todos esses autores, é uma grande aliada. Pedro
Muriel, por exemplo, recorda que foi por meio dela que ele se viu estimulado a reunir seus
poemas e editar livros, o que não aconteceu de maneira imediata, porque ele foi fazer faculdade
e, no ambiente acadêmico, também recebeu retorno positivo de seus escritos. Ele frisa que a
poesia mudou sua vida.
“Eu encontrei nela uma maneira de ser livre, apesar da minha limitação física, que, às vezes,
parece um cárcere, com a necessidade de usar aparelho respiratório e cadeira de rodas. A poesia
fez com que eu pudesse experimentar e alcançar outras pessoas, como se ela me oferecesse
assim um lugar muito bonito e único”, diz Muriel.

 

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